Há nove meses Bruno Mazzeo montou um escritório na Barra da Tijuca para trabalhar. Tomou a decisão depois que percebeu que não conseguia mais produzir em casa. "Lá era mulher, filho, problemas, tudo ao mesmo tempo", conta ele, casado com a atriz Renata Castro Barbosa, com quem tem João, de 2 anos. É no escritório que ele pensa e escreve o "Cilada", programa de humor exibido no "Multishow" que estréia sua quarta temporada no dia 28 de setembro. Na atração, Bruno retrata as furadas em que as pessoas costumam se meter no dia-a-dia.Também é no novo local de trabalho que ele escreve o roteiro de seu primeiro filme, "Muita Calma Nessa Hora", que deve começar a ser rodado em abril de 2008. Tem também o livro baseado no "Cilada", que deve sair pela Editora Globo no ano que vem, a peça "Enfim, Nós", que estréia em São Paulo no dia 21 de setembro, e o lançamento do DVD com as temporadas do "Cilada". Ufa! "Ah, tem também a preparação para o personagem da próxima novela das sete, 'Beleza Pura'", acrescenta. Apesar de tanto trabalho, Bruno garante que continua sendo presente em casa. "Acordo cedo para deixar o João na escola. Trabalho muito, mas estou sempre com eles", diz ele, que também tem a árdua tarefa de convencer o filho de ser vascaíno. "Por enquanto está dando certo. O problema é que ele não sabe que existem outras opções", diverte-se.POR Eliane Santos
01.
Como consegue conciliar tanta coisa ao mesmo tempo? Minha vida sempre foi muito corrida, mas sempre deu para conciliar. Às vezes abro mão de uma coisa ou outra, mas sempre dá tempo pra tudo. A quarta temporada do “Cilada”, por exemplo, já está gravada. Vai ficar no ar até dezembro, mas meu trabalho nele já acabou. Daí, sobra tempo para viajar com a peça, que vou estrear em São Paulo no dia 21, e tocar o lançamento do DVD, que será no dia 25 de setembro. Também tem o livro que está no comecinho, e o roteiro do filme.
02.
E sobra tempo para a Renata e para o João? O que sobra de mim, fica pra Renata(rs). Brincadeira. Procuro estar sempre presente na vida deles. Quando fico sem ver meu filho, acordo cedo e o levo para o colégio.
03.
O que você considera o grande acerto do programa? Acho que é o formato. É inovador, pois mistura uma série de elementos. Ele poderia ser considerado um sitcom porque tem uma historinha, mas ao mesmo tempo interrompe a história para a entrada de esquetes que a gente chama de simulações. Também temos entradas nas quais falamos com a câmera, que é como se fosse stand up comedy, que é o cara falando em primeira pessoa com a câmera. O programa também tem depoimentos fictícios para fazer uma paródia jornalística, e também algumas vinhetas gráficas. É uma mistura de todas essas linguagens.
04.
De onde tira inspiração para escrever os episódios do “Cilada”? Da vida. Todo mundo já passou e passa por situações como essas. No barzinho, por exemplo, é certo que quem fica por último paga a maior parte da conta. É cilada!
05.
Tem algum episódio que tenha sido mais autobiográfico? Vários. Mas o mais literal, digamos assim, foi um sobre quem esquece onde estaciona o carro. Uma vez passei por isso nos Estados Unidos. Deixei o carro no estacionamento, esqueci e não encontrei. Tive que voltar para o hotel de táxi.
06.
Já incluiu alguma cilada fruto de sua experiência como pai? Nesta quarta temporada, tem o episódio sobre crianças que vai ao ar no Dia das Crianças, e que mostra uma situação. Na verdade, é uma história envolvendo crianças de 12 anos. O João, meu filho, só tem dois, mas a inspiração é fruto da convivência com esse universo infantil.
07.
Como é a reação das pessoas na rua? Tem muita gente querendo sugerir situações para o “Cilada”? Sim, recebo muitas sugestões no Orkut, nas ruas. Uma vez estava em uma loja de conveniência e um cara que estava na minha frente, na fila do caixa, virou para mim e disse que tinha acabado de falar de mim com a mulher. Ele disse que tinha ficado 40 minutos na fila de espera de um restaurante, e que aquilo era uma cilada.
08.
Você só escreve e atua ou participa de outras fases do programa? No “Cilada” participo de tudo. É um programa meu. Escrevo, atuo, participo do processo de corte, edição, escolha de elenco. Converso muito com o Augusto Casé, que é o dono da Dueto Filmes, que produz o programa. Ele quem me ajuda nessa organização.
09.
Seu pai, Chico Anysio, influenciou na sua opção pelo humor? Foi tudo muito natural. Fui criado dentro desse meio, assistindo gravações. Era o mascote do elenco. Fui convivendo com aquilo e, quando fui ver, já estava trabalhando. Quando meu pai percebeu que eu estava tendendo para esse caminho, me incentivou bastante, de todas as maneiras possíveis.
10.
Acha que o João vai seguir o mesmo caminho dos pais e do avô? Ainda não parei para pensar nisso. Ele é muito novinho. Primeiro, estou tentando convencer ele a torcer para o Vasco, que é outra tradição de família. Por enquanto está dando certo. Outro dia, ele foi a uma festinha e quis ir com a camisa do Vasco. Ele me viu saindo para o jogo com a camisa do time e quis ir com uma igual. Mas isso é porque ele ainda não sabe que existem outras opções (risos).